Bela e dura Rússia

Partimos de Londres para a Rússia bastante curiosos e um pouco apreensivos. Escolhemos um vôo que chegasse em Moscou pela manhã, por que eu não queria chegar lá à noite de jeito nenhum e logo na saída do aeroporto, durante a negociação de contratação do táxi que nos levaria ao hotel, percebemos que teríamos dificuldades com o inglês, o que já imaginávamos…

Eles até tem boa vontade em tentar se explicar e nos entender e o turismo tem crescido muito, mas o turismo interno é o que mais cresce. Por isso, são poucas as pessoas mesmo as que trabalham com turistas que falam inglês. Ficamos perto do centro histórico e nosso taxista ao se aproximar da região até tentou apresentar algo, mas em Russo e logo percebeu que não estávamos entendendo nada a não ser ‘Putin’.  

Eram só sorrisos….e uau ! pra cá e sorrisos…e Oh ! pra lá ;o)

Na chegada ao hotel uma surpresa….o prédio não tinha número e nem letreiro…rodamos bastante na quadra até arriscarmos entrar num pátio de um prédio que era parecido com a foto no booking.com. Entrei antes de descarregar tudo e confirmei que o lugar era realmente ali. Legal, vencemos a primeira etapa. Tomamos um banho e fomos dormir.

No meio da tarde já descansados, saímos para passear. O primeiro impacto com o Kremlin e as demais construções no entorno da Praça Vermelha é muito forte. Os prédios são imponentes, coloridos, lindos. O povo lá é amigável e claro, haviam muitos turistas. Relaxamos, passeamos, comemos e no final da tarde nos encontramos com Eleonora, uma moça russa muito legal que eu conheci na rede Internations.com. Ela nos levou pela margem do rio Moskva, pelo parque dos monumentos caídos, conversamos muito foi ótimo! A noite a região é ainda mais bonita, é verão e muitas pessoas saem do trabalho e ficam passeando, patinando, andando de skate, bebendo, namorando, conversando e praticando Yoga. Isso mesmo, Yoga na Rússia ! Vimos uma aula com muitas pessoas. ADOREI !

No dia seguinte voltamos a mesma região e entramos nos prédios que havíamos visto somente por fora. O Museu ‘Armory Chamber’ (Palácio do Arsenal) é impressionante ! A riqueza das peças expostas, não só pela composição em ouro, prata, tecidos nobres e pedras preciosas, mais o design são lindíssimos. Além de armas, tronos, carruagens….impressionante a riqueza do país.

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Nós no centro histórico de Moscou

Chegamos em São Petersburgo na manhã seguinte e a contratação do táxi foi mais tranquila, porém, a chegada ao hotel foi igualmente surpreendente.

O taxista estava seguro, ele falava um pouco de inglês e nos afirmou que o endereço era aquele. Nós olhamos e não vimos nenhum vestígio de hotel e desta vez não tínhamos a foto da fachada…ele se ofereceu para ligar para o hotel, mas achamos desnecessário e saltamos. Andamos um pouco pra cá com o mapa em mãos e passamos do número, depois voltamos e passamos de novo….aí voltamos e exatamente no número do endereço havia uma entrada de um prédio muito antigo, limpo, mais caindo aos pedaços e 2 cartazetes; um de um hostel com uma foto da recepção e outro de uma hospedagem sem foto. Combinei com o Milton que ele ficaria com a mala e as crianças lá embaixo e eu subiria de escadas até o 4o andar (onde as placas indicavam) por que não tive coragem de entrar no elevador. Chegando no andar, havia uma parede de aço com uma porta, um interfone e uma placa mais famíliar pra mim. Toquei e abriram ! Matrix !! Lá dentro tinha uma andar lindo com pessoas trabalhando, conversando, vendo mapas….era o nosso hotel ! o quarto era uma graça e um dos rapazes da recepção desceu para buscar a família e as malas.

Contratamos um receptivo para os 2 dias que ficamos na cidade. Por isso, a Natália veio nos buscar as 8h do dia seguinte. Resolvi marcar com ela na esquina em frente ao Radisson por que eu tinha certeza de que ela jamais encontraria nosso endereço. Do centro partimos para a cidade Peterhoff onde fica o ‘Gran Palacio de Verão’ de Pedro O Grande.

Natália é russa mais fala português e espanhol  e no caminho nos explicou um pouco sobre a história recente do país e o motivo do nosso hotel ser lindo por dentro num prédio em processo de restauração. Bem durante a revolução, os edificamos foram ‘nacionalizados’ e reorganizados. O governo colocou várias famílias morando num mesmo apartamento. Cada uma num quarto e dividiam, cozinha e banheiro. Agora, depois da Perestroika e abertura política e econômica algumas pessoas ricas tem comprado estes apartamentos do governo, levado as famílias para a região metropolitana da cidade em habitações unifamiliares e transformado estes apartamentos enormes, em hostels, escritórios ou apartamentos unifamiliares. Logo, cada um reforma o seu andar e depois ou o governo ou os novos proprietários se juntam para reformar as áreas comuns. De fato, no nosso prédio haviam várias obras e as janelas da escada comum eram novas. Começamos ali a entender uma parte da história russa que não havíamos visto nos museus de Moscou.

Na volta do Palácio, almoçamos Stroganoff (este era o nome da família que deu origem ao prato) que não é servido com arroz e nem com batata palha e sim com batata laminada assada. Tomamos um shot de vodka e a tarde fomos visitar outras atrações da cidade incluindo passeios a monumentos à margem do rio Nevá. Foram muitas perguntas a Natália além das informações do roteiro. Falamos sobre história, política e suas opiniões sobre tudo é claro. No segundo dia mais íntimos, já estávamos até contando a vida e ela nos contou sobre a sua história, de sua família e de pessoas amigas.

Uma que nos deixou bastante impressionados aconteceu durante a 2a Guerra em São Petersburgo (na época Leningrado). A cidade foi sitiada perto do início do inverno que naquele ano foi bastante rigoroso. As pessoas o tanto quanto podiam, tentavam levar um vida comum – trabalho, escola, rotina de casa e etc… só que a comida foi acabando e o exército, única instituição com acesso a cidade, conseguia abastecê-los do mínimo. Cada um tinha direito a 125 gramas de pão por dia e a mãe de uma amiga da Natália contou a elas que a mãe dela ia dando aos poucos o pão para as crianças para que tivessem a sensação de várias refeições. Quando um parente morria, eles colocavam num cômodo da casa para continuar ganhando seu pão e somente quando não aguentavam mais o cheiro avisavam ao exército para retirarem o corpo….Assim foram sobrevivendo….

A história da Rússia é muito dura e sangrenta. Desde muito tempo, além das diversas guerras a realeza matava uns aos outros. Durante os passeios, ela nos relatou diversos assassinatos entre Czares (lá Tzares) e seus familiares, além de outros membros do poder, inclusive entre pais e filhos. É muito impressionante. A revolução também foi muito dura com o povo. As proibições eram totais e inquestionáveis, além da grande violência. As recentes guerras mundiais e até o clima também castigam bastante os russos. Todos tem na família histórias de pessoas que morreram pelo regime comunista e/ou nas guerras.   

Penso que todo pretenso comunista deveria visitar Cuba e a Rússia e conversar com o povo….ainda não chegamos a China, mas devo concluir esta minha idéias até o final deste ciclo.

Hoje, São Petersburgo é uma cidade muito bonita, sua arquitetura é inspirada em Amsterdã, Pedro o Grande era apaixonado pela cidade.  A parte histórica que fica no centro foi reconstruída; tem teatros, espectáculos de ballet, muitos restaurantes e um comércio pulsante. Conversamos com algumas poucas pessoas que falavam inglês e espanhol além da Natália e o ‘Google translator’ também nos ajudou muito. ;o)

Gostamos das duas cidades e ficamos com pena de não termos ficado mais tempo em Moscou  e nem de termos planejado a Sibéria….

Super recomendamos a nossa Guia Natália, que além de profissional foi muito carinhosa conosco – Quem se interessar entre em contato: nverenich@mail.ru

Na manhã seguinte partimos para Dubai.

 

5 Respostas para “Bela e dura Rússia

  1. Pingback: Bela e dura Rússia — Se perguntarem por mim . . . | Pedirei oque preciso·

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